Secretário-Geral da ONU denuncia ataques contra trabalhadores humanitários, restrições ao acesso e redução do financiamento da assistência humanitária.
O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, alerta que salvar vidas se tornou mais perigoso do que nunca, perante o aumento dos ataques contra trabalhadores humanitários em diferentes partes do mundo.
Num discurso por ocasião do Dia Mundial da Assistência Humanitária, assinalado esta quarta-feira, Guterres afirmou que mais de 1.000 trabalhadores humanitários foram mortos enquanto ajudavam comunidades afectadas por crises, enquanto outros foram vítimas de bombardeamentos, tiros, raptos e detenções.
O líder da ONU chamou ainda a atenção para o aumento dos riscos provocados por novas armas, incluindo drones, bem como para ataques contra escolas e hospitais.
Ao mesmo tempo, a assistência humanitária enfrenta uma crescente falta de recursos. Segundo Guterres, o financiamento está a diminuir, o acesso humanitário está a ser restringido e voos de assistência estão a ser bloqueados, deixando pessoas em situação de extrema necessidade sem apoio.
O Secretário-Geral denunciou também campanhas de desinformação que, segundo afirmou, espalham mentiras que custam vidas.
Guterres sublinhou que os ataques contra trabalhadores humanitários violam o direito internacional e têm consequências que vão muito além das próprias vítimas.
“As consequências são devastadoras para famílias que lutam pela sobrevivência, crianças que esperam por comida, pacientes que procuram cuidados urgentes e muitos outros”, afirmou.
Perante este cenário, o Secretário-Geral apelou ao respeito pelas normas do direito internacional, à garantia de acesso humanitário seguro, à responsabilização dos autores dos ataques e à disponibilização dos recursos necessários para a assistência.
“Os trabalhadores humanitários defendem as pessoas que precisam de ajuda. Temos de defender os trabalhadores humanitários.”
A mensagem de Guterres termina com um apelo à acção:
“Devemos agir pela humanidade agora.”