A ONU estima que mais de um quarto da humanidade vive em áreas afectadas por conflitos. enquanto mais de 200 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária e quase 120 milhões foram forçadas a deslocar-se devido a guerras, crises, desastres ou perseguições.

A paz continua a ser um dos maiores desafios do mundo. Em diferentes regiões, milhões de pessoas vivem entre conflitos armados, deslocamentos forçados, destruição de infra-estruturas e a perda de familiares e meios de subsistência.

No Sudão, três anos de guerra deixaram quase 34 milhões de pessoas dependentes de assistência humanitária, tornando o país palco daquilo que as Nações Unidas descrevem como a maior crise humanitária do mundo. Mais de 4,5 milhões de pessoas foram forçadas a atravessar as fronteiras do país em busca de segurança.

Na Ucrânia, a violência contra civis também se intensificou em 2026. Nos primeiros sete meses do ano, a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos das Nações Unidas verificou 12.477 vítimas civis, incluindo 1.839 mortos e 10.638 feridos. Só em Julho, pelo menos 437 civis morreram e 2.610 ficaram feridos, o maior número mensal registado desde Março de 2022.

Na Faixa de Gaza, o conflito provocou uma enorme perda de vidas e uma destruição generalizada. Uma avaliação conjunta da União Europeia, das Nações Unidas e do Banco Mundial, publicada em Abril de 2026, estimou mais de 71.000 palestinianos mortos e mais de 171.000 feridos após dois anos de conflito. Cerca de 1,9 milhões de pessoas foram deslocadas, muitas delas várias vezes, enquanto mais de 60 por cento da população perdeu as suas casas.

Na República Democrática do Congo, a violência no leste do país continua a provocar novos deslocamentos. Segundo as Nações Unidas, mais de 70.000 pessoas fugiram do território de Walikale, no Kivu do Norte, desde meados de Agosto de 2026, na sequência da intensificação dos combates.

Moçambique também conhece os efeitos de um conflito prolongado. No norte do país, a violência armada continua a afectar comunidades, obrigando famílias a abandonar as suas casas e a procurar segurança noutras zonas. A crise tem tido consequências particularmente graves para crianças e outras pessoas em situação de vulnerabilidade.

Por detrás destes números estão pessoas. São famílias separadas, crianças que deixam de frequentar a escola, comunidades que perdem as suas casas, profissionais de saúde que trabalham em condições extremas e pessoas que são obrigadas a abandonar os lugares onde construíram as suas vidas.

É neste contexto que o mundo assinala, hoje, 21 de Setembro, o Dia Internacional da Paz.

Para 2026, as Nações Unidas escolheram o tema “Investir na Paz: Para Todos, em Todo o Lugar, Todos os Dias”.

Na sua mensagem para a data, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, alerta que a paz está “perigosamente em falta” num mundo marcado pela violência e pela divisão. Segundo Guterres, os conflitos estão a crescer em escala e complexidade, enquanto o diálogo enfraquece e a solidariedade global não tem acompanhado a dimensão das crises.

Mas a mensagem do Secretário-Geral não é apenas de preocupação. Guterres destaca também o trabalho de voluntários, activistas, organizações da sociedade civil, forças de manutenção da paz e construtores da paz que, em diferentes partes do mundo, aproximam comunidades, promovem o diálogo e ajudam a reparar divisões.

Para Guterres, a paz não acontece de forma automática. É uma escolha activa e deliberada e exige investimento. Esse investimento passa pela saúde, educação, nutrição e protecção social; pela defesa dos direitos humanos e da dignidade; pela criação de comunidades inclusivas; e pelo reforço da diplomacia, do diálogo, da negociação e das operações de manutenção da paz.

Na cerimónia da Campainha da Paz, realizada nas Nações Unidas em 9 de Setembro, Guterres resumiu a sua mensagem em três ideias: “Peace is never a passive achievement. Peace is hard work. Peace is action.” Ou seja, a paz nunca é uma conquista passiva. A paz exige trabalho. A paz exige acção.

O Dia Internacional da Paz é, por isso, mais do que uma data no calendário das Nações Unidas. É uma oportunidade para recordar que a paz não começa apenas quando as armas deixam de disparar. Ela também é construída quando uma criança pode ir à escola em segurança, quando uma família consegue permanecer na sua comunidade, quando diferentes grupos encontram espaço para dialogar e quando as instituições protegem os direitos e a dignidade das pessoas.

Num mundo onde os conflitos continuam a afectar milhões de vidas, investir na paz significa também investir nas pessoas.

Porque a paz não é apenas o fim da guerra. É a possibilidade de viver com segurança, dignidade, esperança e oportunidades.

Neste Dia Internacional da Paz, a mensagem é simples: investir na paz é investir na humanidade.

Fonte: Organização das Nações Unidas