“A construção da paz exige prevenção da violência e confiança nas instituições” – Sheid Massave

Por ocasião do Dia Internacional da Paz, a The Humanitarian Voice conversou com a investigadora Sheid Massave sobre o significado da paz, os desafios de Moçambique e o papel dos jovens e das instituições na prevenção de conflitos violentos.

O que significa estar em paz? Será suficiente não haver guerra ou violência? Para assinalar o Dia Internacional da Paz, celebrado a 21 de Setembro, a The Humanitarian Voice convidou a investigadora em Estudos de Paz Sheid Massave para uma conversa sobre a construção da paz em Moçambique.

Na entrevista, Massave distingue entre paz negativa, entendida como a simples ausência de guerra ou violência, e paz positiva, que pressupõe a criação de condições sociais e políticas capazes de enfrentar as causas dos conflitos, promover o diálogo, garantir justiça e responder às necessidades da população.

Ao analisar o contexto moçambicano, a investigadora aponta a cultura de violência e a desconfiança nas instituições como alguns dos factores que dificultam a construção de uma paz sustentável. Segundo Massave, estas dinâmicas podem criar barreiras ao diálogo entre diferentes grupos sociais e políticos.

A conversa aborda também a diferença entre conflito e violência. Para Massave, o conflito faz parte das relações humanas e pode ser construtivo quando existem mecanismos adequados para o gerir. A violência, por sua vez, produz dano e deve ser prevenida.

É neste ponto que a entrevistada destaca a importância da prevenção de conflitos violentos. Em sua perspectiva, é possível identificar condições que podem conduzir à violência antes de esta ocorrer, permitindo intervenções através do diálogo, da diplomacia preventiva e de formas de comunicação não-violenta.

Os jovens ocupam igualmente um lugar central na conversa. Num país onde representam uma parcela significativa da população, Massave defende que devem ser envolvidos não apenas como pessoas potencialmente afectadas pelos conflitos, mas também como agentes de paz, capazes de contribuir com ideias, conhecimento e soluções.

A entrevista aborda ainda a relação entre mudanças climáticas, desastres naturais e paz. Para Massave, situações de desastre podem agravar a insegurança humana, levando a situação de crise humanitária, que por sua vez pode propiciar tensões quando as necessidades básicas das comunidades, como alimentação, água, abrigo e segurança, não são satisfeitas.

Questionada sobre se Moçambique está em paz, Massave considera que o “país está a fazer caminho para o alcance da paz”, tendo como referência a ideia de uma paz positiva e sustentável. Entre as prioridades, destaca a necessidade de fortalecer a confiança da população nas instituições de justiça.

A conversa completa está disponível no áudio deste podcast.