Cheias agravam pressão sobre o financiamento da resposta humanitária em Moçambique

A resposta humanitária em Moçambique enfrenta um défice significativo de financiamento para responder às necessidades provocadas pelo conflito no norte do país, enquanto as cheias registadas nas regiões centro e sul acrescentam novas necessidades e pressão sobre os recursos disponíveis.

Até ao final de Junho, os doadores tinham disponibilizado US$117 milhões para programas humanitários prioritários em resposta ao conflito, correspondentes a apenas 34% dos US$348 milhões necessários no âmbito do Plano de Necessidades e Resposta Humanitária de 2026. O valor deixa um défice de financiamento de US$231 milhões.

O plano procura responder às necessidades humanitárias mais urgentes nos distritos afectados pelo conflito em Cabo Delgado, Nampula e Niassa, abrangendo 17 distritos de Cabo Delgado, dois de Nampula e um do Niassa.

A situação financeira torna-se ainda mais complexa perante as necessidades provocadas pelas cheias. Segundo o OCHA, são necessários mais US$187 milhões através do Floods Addendum para apoiar 620 mil pessoas afectadas pelas inundações nas regiões centro e sul de Moçambique. O relatório indica que esta necessidade adicional agrava a lacuna de financiamento da resposta humanitária.

A falta de financiamento é particularmente expressiva em alguns sectores. Segurança Alimentar e Meios de Subsistência apresenta a maior necessidade financeira, com US$158 milhões requeridos, mas apenas US$6,8 milhões recebidos, deixando um défice de US$151 milhões.

Na Protecção, dos US$49 milhões necessários, apenas US$4,7 milhões tinham sido recebidos, deixando um défice de US$44,6 milhões. O sector de Abrigo de Emergência e Artigos Não Alimentares apresentava um défice de US$33,2 milhões, enquanto Água, Saneamento e Higiene registava uma necessidade não financiada de US$26 milhões.

Apesar das limitações financeiras, a resposta humanitária continuou a produzir resultados em diferentes sectores. Até ao final de Junho, 566 mil pessoas tinham acesso a uma quantidade suficiente de água potável para beber e para uso doméstico, enquanto 145 mil pessoas foram alcançadas através de fornecimentos de WASH. No sector da Saúde, foram realizadas 85 mil consultas em ambulatório.

Os dados mostram, portanto, que a resposta humanitária em Moçambique está a operar num contexto de necessidades simultâneas e recursos limitados: enquanto a crise do conflito continua a exigir financiamento significativo no norte, as cheias no centro e sul do país acrescentam novas necessidades, exigindo recursos adicionais para responder às populações afectadas.

Consulte estes dados na ReliefWeb, na publicação do OCHA