Apenas 55% das pessoas visadas receberam assistência humanitária no norte de Moçambique

O conflito no norte de Moçambique continua a deixar centenas de milhares de pessoas dependentes de assistência humanitária, enquanto a resposta alcança pouco mais de metade da população identificada como necessitada.

Até ao final de Junho, cerca de 619 mil pessoas, correspondentes a 55% das 1,1 milhões de pessoas visadas, tinham recebido algum tipo de assistência humanitária nos distritos afectados pelo conflito em Cabo Delgado, Nampula e Niassa, segundo o painel de resposta humanitária do OCHA.

O Plano de Necessidades e Resposta Humanitária de 2026 tem como alvo 1,1 milhões de pessoas nos distritos afectados pelo conflito nas três províncias do norte. Deste universo, 919 mil pessoas são consideradas hiperprioritárias, vivendo em distritos de Cabo Delgado classificados com severidade 4, onde as necessidades humanitárias são mais elevadas.

É precisamente nestas áreas de maior necessidade que a diferença entre as pessoas visadas e as alcançadas se torna mais evidente. Até ao final de Junho, apenas 345 mil das 919 mil pessoas hiperprioritárias tinham recebido assistência, o equivalente a aproximadamente 38% da população visada.

Os oito distritos de Cabo Delgado classificados no nível de severidade 4 são Ancuabe, Chiúre, Macomia, Mocímboa da Praia, Mueda, Muidumbe, Nangade e Quissanga.

Apesar das limitações, a resposta humanitária alcançou pessoas através de diferentes sectores. A maior parte da assistência foi prestada pelos parceiros de Segurança Alimentar e Meios de Subsistência, que alcançaram 408 mil pessoas. Excluindo a assistência alimentar, 391 mil pessoas receberam apoio multissectorial nos sectores de Saúde, Protecção, Água, Saneamento e Higiene (WASH) e Abrigo.

As crianças constituem uma parte significativa das pessoas alcançadas. O painel indica que 353 mil crianças receberam assistência, juntamente com 322 mil mulheres e 297 mil homens.

A resposta também incluiu intervenções específicas para crianças e outros grupos vulneráveis. Até Junho, 152 mil crianças menores de cinco anos tinham sido rastreadas para desnutrição aguda, enquanto 53 mil crianças entre os 6 e os 59 meses receberam suplementação de vitamina A. No sector da protecção, 34 mil crianças afectadas por violência, abuso, negligência e exploração receberam serviços individuais de gestão de casos.

Os dados do OCHA mostram, assim, uma resposta humanitária que já alcançou centenas de milhares de pessoas, mas que continua a enfrentar uma diferença significativa entre a população identificada como necessitada e aquela que conseguiu receber assistência, particularmente nos distritos de Cabo Delgado onde as necessidades são classificadas como mais severas.

Consulte estes dados na ReliefWeb, na publicação do OCHA